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02/02/2016

Mosca-branca preocupa em MT

Em 2015, foi incluída pelo Mapa na lista de pragas consideradas de maior risco fitossanitário

Este início da safra de algodão está sendo marcado por uma praga que não chega a ser uma novidade para quem lida no campo, mas que está preocupando pesquisadores, produtores e técnicos pela intensidade de seus ataques.  Bemisia tabaci é o nome científico da mosca-branca, praga que tem sido destaque nos últimos relatórios sobre a situação das lavouras dos assessores técnicos regionais (ATRs) de todos os núcleos de produção algodoeira em Mato Grosso.

Considerada polífaga, a mosca-branca ataca lavouras de soja e algodão, entre outros cultivos, podendo também utilizar algumas espécies de plantas daninhas como fonte de alimento.  Em 2015, a mosca-branca foi incluída pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na lista de pragas consideradas de maior risco fitossanitário e com potencial de provocar prejuízos econômicos, ao lado do bicudo-do-algodoeiro e da ferrugem asiática. 

No caso da cotonicultura, a mosca-branca prejudica o crescimento das plantas em fase inicial de desenvolvimento e traz danos indiretos como a transmissão de viroses. Já no final do ciclo, sua ocorrência pode acarretar a contaminação da fibra do algodão.

"Ao se alimentarem das plantas, as populações de B. tabaci produzem uma substância açucarada que permite a ocorrência do fungo (Capnodium sp.) popularmente conhecido como fumagina, que contamina os capulhos, deixa a fibra com aspecto pegajoso, o que reduz seu valor comercial", alerta o entomologista Jacob Crosariol Netto, pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt).

Gerente de Produção de duas fazendas em Lucas do Rio Verde (Núcleo Regional Norte), Sandro Barrachi confirma que a pressão de mosca-branca cresceu este ano em comparação com a safra passada. "O clima seco, na época do plantio da soja, favoreceu a proliferação da mosca-branca", comenta Barrachi, acrescentando que a alta pressão da praga está obrigando o uso de defensivos específicos para o seu controle, elevando ainda mais os custos de produção das lavouras.

Segundo o entomologista Jacob Crosariol Netto, um conjunto de fatores está contribuindo para a maior pressão da mosca-branca neste início da safra 2015/16 de algodão. "Tivemos um início de safra seco e mais recentemente, chuvas fortes seguidas de períodos de estiagem que chamamos de veranicos. É o clima ideal para a proliferação da mosca-branca", explica. Outro fator que vem contribuindo para o agravamento do problema é o sistema produtivo adotado em Mato Grosso, com o plantio do algodão de segunda safra após soja.

O pesquisador alerta ainda para o uso de defensivos agrícolas menos eficazes para o controle da praga devido ao alto custos dos inseticidas mais específicos. "Estudos de pesquisadores indicam que o uso indiscriminado de defensivos acaba favorecendo a seleção de populações resistentes e afeta indiretamente a população de inimigos naturais da mosca-branca", afirma Crosariol Netto. 

Os ATRs e pesquisadores do IMAmt vêm acompanhando a situação da praga nas lavouras e fazendo experimentos com o objetivo de ajudar os produtores a fazerem um controle mais efetivo da mosca-branca, visando minimizar os prejuízos causados pelo inseto.

Fonte: Ampa

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